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a importância do diagnóstico adequado na saúde mental pet – Portal Cães e Gatos

Por muitos anos, ao falar de saúde animal a correlação era apenas com aspectos fisiológicos. No entanto, de uns tempos para cá a saúde mental entrou em pauta na Medicina Veterinária e os cães estão entre os animais mais acometidos por problemas como estresse e ansiedade.  – PUBLICIDADE – Além de fatores intrínsecos dos pets, […]

Por muitos anos, ao falar de saúde animal a correlação era apenas com aspectos fisiológicos. No entanto, de uns tempos para cá a saúde mental entrou em pauta na Medicina Veterinária e os cães estão entre os animais mais acometidos por problemas como estresse e ansiedade. 

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Além de fatores intrínsecos dos pets, estudos apontam que os cães podem refletir o nível de estresse dos seus responsáveis, indicando que o problema é maior do que muitos pensam. 

Mas, ao abordar esse tema é preciso entender, realmente, o que é o estresse. De acordo com a médica-veterinária mestre em Comportamento Animal, Ana Luisa Lopes, atualmente, o estresse não é considerado um diagnóstico comportamental. 

“Na verdade, essa é apenas uma nomenclatura usada para definir qualquer alteração na homeostase do organismo animal. Logo, um simples levantar da cama, latir ou uma mudança de comportamento pode gerar o que chamamos de estresse”, pontua. 

Outro ponto importante é que existem dois tipos de estresse: o eu-estresse e o de-estresse. 

A profissional explica que eu-estresse é considerado positivo e visto, por exemplo, quando o animal fica empolgado ou quando está brincando, estando presente na maior parte do tempo. Por outro lado, frente a experiências negativas há uma maior incidência do de-estresse. 

“É muito complicado fazermos uma avaliação completa e conseguirmos definir qual é o tipo de estresse que está atuante no animal. É claro que, através da linguagem corporal e da resposta comportamental, somos capazes de seguir um direcionamento, mas por esses motivos não utilizamos o estresse sozinho como forma de diagnóstico”, esclarece. 

Logo, as manifestações do estresse negativo nos cães são variadas. Quando ocorre o de-estresse o animal pode ficar ofegante, ter a pupila dilatada, apresentar salivação espessa e em maior quantidade e até demonstrar aumento da frequência cardíaca e da temperatura corporal. 

Ansiedade também é subjetiva 

Ana relata que a ansiedade é uma resposta que o animal apresenta perante eventos que são considerados ruins, e é importante diferenciar essa condição da vista nos seres humanos.

Segundo ela, a partir da sua capacidade de entendimento, os seres humanos conseguem antecipar situações negativas que podem acontecer no futuro, como contas a vencer. 

Quando falamos dos animais não há essa capacidade cognitiva e a ansiedade ocorre quando o cão ou gato nota, através de dicas do ambiente, que algo negativo pode acontecer. 

“Vamos supor que todas as vezes que o animal é transportado de carro vai para o veterinário. Ao entender isso ele começa a ter respostas negativas sempre que é colocado dentro de um veículo”, exemplifica.

A ansiedade de separação também é uma realidade, mas, muitas vezes, é mal interpretada e diagnosticada. 

Lopes relata que ao atender um paciente encaminhado por esse problema tenta destrinchar ao máximo a situação para entender o que, realmente, está acontecendo, pois nem sempre as alterações de comportamento são meramente comportamentais. 

“Por exemplo, às vezes o animal sente dor e teve algum tipo de crise quando o responsável não estava em casa. Após isso, passa a associar a ausência desse responsável com a possibilidade da dor e acaba não gostando quando a pessoa sai de casa. Nesse cenário, se eu simplesmente escuto esse rótulo vou fazer o tratamento completamente comportamental e a dor pode não ser tratada”, afirma. 

Atualmente, a veterinária cita que em sua prática clínica existem, sim, casos relacionados à separação, mas é preciso entender o cenário como um todo. Também aponta que o termo mais adequado é apenas separação, pois nem sempre há ansiedade associada ao quadro. 

Correlação doença e estresse 

Muitas vezes, o estresse não é um problema meramente comportamental e está sendo desencadeado por alguma doença concomitante. 

De acordo com a profissional, a dor é um dos principais motivos de mudanças comportamentais nos cães. Como exemplos estão dor musculoesquelética, desconforto gastrointestinal e prurido em excesso. 

“Ou seja, nós temos a doença, às vezes, trazendo mudanças de comportamento nesses animais ou mantendo alguns comportamentos presentes de forma central. Então, esse cão já tinha uma alteração de comportamento, mas a enfermidade acaba piorando o quadro”, informa. 

Devido a isso, a veterinária pontua que é, realmente, difícil entender o que está por trás de certos comportamentos, chamados corriqueiramente de ansiedade, estresse, reatividade e agressividade. Segundo ela, esses são apenas rótulos que escondem diversos sinais de que algo não está correto. 

“Quando nós acabamos rotulando esse animal podemos deixar passar diversas informações importantes, que nos direcionam para tratamentos equivocados”, aconselha. 

Ambiente que estressa 

Um dos aspectos considerados estressantes para cães são os espaços com muitos animais. Contudo, neles é possível visualizar o eu-estresse e o de-estresse, sendo importante diferenciá-los para uma análise comportamental mais eficaz. 

Durante brincadeiras e momentos de lazer, o que predomina é o eu-estresse. Porém, quando há no grupo integrantes mais invasivos e que não respeitam o limite do outro pode ser visto o de-estresse. 

“Ter animais de outras espécies nesse ambiente também pode desencadear um estresse negativo, ou seja, o de-estresse mais elevado”, pontua.

Confira o artigo completo “Muito além do rótulo” na íntegra e sem custo, acessando a página 44 da edição de janeiro (nº 317) da Revista Cães e Gatos.



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