Quem tem pet busca sempre uma forma de agradar o animal, seja com carinho, brinquedos novos ou petiscos que eles adoram. Mas será que todos os tutores sabem a quantia certa de petisco a ser oferecido aos cães e gatos? Quando eles são aliados e quando se tornam vilões da saúde animal?
Para responder às questões, conversamos com a médica-veterinária Sibele Konno, que é diretora Médica do Grupo Pet Care. Ela comenta que os petiscos podem ser aliados em adestramento, para que o animal associe sensações de prazer com treinamento de truques, como sentar, deitar e, até mesmo, ofertar medicamentos.
“Podem, também, ser uma forma de medicar o paciente (quando o fármaco é compatível) e de realizar a suplementação nutricional quando necessária”, declara.
A profissional informa que os tipos de petiscos mais indicados para adestramento ou enriquecimento ambiental são os que têm algum atrativo ao pet.
“Alguns animais se adaptam melhor aos úmidos, outros aos secos. Uma coisa é certa: eles precisam gostar da textura, sabor e cheiro. No caso de alergias ou dietas de perda de peso, opte por legumes ou reserve alguns grãos da ração já utilizada. Alguns felinos adoram os sachês, que, apesar de serem alimentos completos, podem ser ofertados com cautela aos gatos como petisco. Além de serem práticos, costumam agradar os paladares dos bichanos”, destaca.

Quando o aliado se torna vilão
Os petiscos deixam de ser uma opção interessante, na visão da veterinária, quando levam o animal ao ganho de peso ou a alergias. O uso excessivo ou sem critério pode desbalancear a dieta, causar distúrbios gastrointestinais e até reforçar comportamentos indesejados, como o pedido constante por comida.
“Também pode se tornar um perigo quando utilizado em demasia, gerando ansiedade ao invés de associação a um estímulo positivo”, adiciona.
Mas como saber se a oferta está acima do ideal? Sibele afirma que é possível perceber, por meio do escore corporal, que o animal mudou de graduação, principalmente, quando as costelas não estão mais perceptíveis ou quando a quantidade de alimento dentro do pote de alimentação começa a sobrar.
Segundo ela, os petiscos não devem ultrapassar 10% da necessidade calórica diária. “A avaliação de um médico-veterinário é essencial para definir qual a necessidade calórica, que é individual e depende de fatores como: idade, nível de atividade física e escore corporal”, explica.

Alimentos de humanos: risco disfarçado de agrado
Os alimentos para humanos também não devem ser oferecidos a cães e gatos. De acordo com a veterinária, essa prática pode ser perigosa.
“Muitos alimentos próprios para o consumo humano não são próprios para os animais, por exemplo: uvas e frutas secas (nozes, macadâmia). Queijos e carnes são gordurosos e as porções utilizadas para humanos são muito maiores que a quantidade ou necessidade diária de calorias dos animais”, discorre.
Além disso, sabemos que alguns pets passam a “chantagear” os tutores para ganhar petiscos e isso, segundo Sibele, pode ser um sinal de comportamento condicionado.
“É importante lembrar que o reforço positivo deve vir de um comportamento esperado ou de um comando feito. Caso se faça o ‘agrado’ sem a ordem ou com petiscos que não são próprios para pets, pode confundir o animal”, salienta.
Para quem deseja ofertar petiscos mais saudáveis e sem riscos aos pets, a médica-veterinária deixa algumas sugestões: “Cenouras cruas ou cozidas, chuchu cozido, abobrinha, cubos de peito de frango e pepino são ótimos petiscos para cães e gatos”.
FAQ sobre os petiscos
Quando os petiscos são aliados da saúde dos pets?
Quando usados com moderação, os petiscos são ótimos aliados no adestramento, no reforço positivo e até para ofertar medicamentos ou suplementos. Eles também podem enriquecer o ambiente, desde que respeitem a individualidade do pet.
Quando os petiscos se tornam prejudiciais?
O excesso de petiscos pode causar sobrepeso, desbalancear a dieta, provocar alergias ou reforçar comportamentos indesejados, como pedir comida o tempo todo. Além disso, podem gerar ansiedade e distúrbios gastrointestinais se usados de forma errada.
Qual é a quantidade ideal de petiscos por dia?
Os petiscos não devem ultrapassar 10% das calorias diárias do animal. A quantidade ideal depende de fatores como idade, peso, nível de atividade e condição corporal, e deve ser avaliada por um médico-veterinário.
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