Os tumores de pele são o segundo tipo de câncer que mais acomete os cães. Em primeiro lugar estão os tumores de mama, seguidos pelos mastocitomas, que representam de 7% a 21% dos tumores cutâneos caninos (Melo et al., 2013).
De acordo com a médica-veterinária especializada em Oncologia, cirurgias complexas e reconstrutivas e mestranda em Medicina Veterinária com ênfase em Oncologia pela Unesp Botucatu, Daiane Duarte, o mastocitoma é uma neoplasia cutânea, que pode se apresentar como nódulo único ou múltiplas lesões na pele.
“A localização mais frequente do mastocitoma é a pele, porém ele pode se manifestar também de maneira subcutânea e atingir órgãos de longa distância, se apresentando como mastocitoma visceral. Contudo, esses casos são menos frequentes”, explica.
A doença pertence ao grupo de neoplasmas conhecidos como tumores de células redondas, em conjunto com os linfomas, histiocitomas e o tumor venéreo transmissível (Palma et al., 2009).
Daiane comenta que o tumor apresenta predisposição genética, existindo algumas raças mais predispostas, como pug, golden retriever e boxer. Estudos recentes também apontam que cães sem raça definida, cocker spaniel, pit bull terrier e shar-pei também estão entre os predispostos a neoplasia (Miller et al., 2013).
“Além disso, ocorre com mais frequência em animais adultos ou de meia-idade, a partir dos oito anos”, pontua.
Por outro lado, não há relatos de predileção sexual. No entanto, um estudo realizado por Laufer-Amorim (2011) observou que as cadelas apresentavam mastocitomas menos agressivos, o que sugere a existência de influência hormonal no desenvolvimento da doença em cães, já que as fêmeas castradas tiveram maior risco de ocorrência (Melo et al., 2013).
Dividido em três graus
A médica-veterinária informa que o mastocitoma é classificado como de alto grau ou baixo grau, o que demonstra sua agressividade, e graduado em três escalas I, II ou III.
O problema é que os mastocitomas são capazes de mimetizar qualquer lesão cutânea e seu comportamento biológico é variável, existindo casos benignos que não comprometem o estado clínico do animal, e outros extremamente malignos, que podem provocar óbito (Melo et al., 2013).
Dessa forma, é fundamental realizar o estadiamento clínico da neoplasia, pois assim se consegue definir extensão da doença. Para isso podem ser utilizados diferentes exames, como os citológicos e/ou histológicos.
“O diagnóstico é realizado através da citologia ou coleta de biópsia incisional do tumor para melhor planejamento de tratamento”, comenta a profissional.
O grau histológico do mastocitoma foi proposto Patnaik et al. (1984) e ainda é amplamente utilizado na classificação desse tipo de neoplasia por ser um sistema satisfatório e íntegro.
Através dele é possível avaliar o estadiamento tumoral e, consequentemente, características importantes da célula, como o grau de anisocariose, o número de grânulos citoplasmáticos e a quantidade de figuras mitóticas e de invasão tumoral em tecidos adjacentes (Otero et al. 2021).
Na suspeita ou confirmação da neoplasia, também recomenda-se a realização de outros exames, como hemograma completo, perfil bioquímico e urinálise, com a finalidade de avaliar a existência de possíveis síndromes paraneoplásicas e comorbidades, tais como doenças infecciosas, renais e hepáticas (LONDON & SEGUIN, 2003).
Conforme Melo et al. (2013), o estadiamento clínico do mastocitoma canino é determinado da seguinte forma:
- Estágio 0: presença de um tumor incompletamente excisado na derme, identificado histologicamente sem envolvimento de linfonodo regional
- Estágio I: presença de um tumor confinado à derme sem envolvimento de linfonodo regional
- Estágio II: presença de um tumor confinado à derme com envolvimento de linfonodos regionais
- Estágio III: definido por tumores dérmicos múltiplos e tumores grandes e infiltrativos com ou sem envolvimento de linfonodo regional
- Estágio IV: engloba qualquer tumor com metástase à distância com envolvimento de sangue ou medula óssea
Vale saber que os estágios de I a III são classificados como sub estágios, sendo o um sem sinais sistêmicos e o dois com sinais sistêmicos.
Já os sinais clínicos podem ser variados e é possível visualizá-los na pele e em outros órgãos.
“Os sinais clínicos variam desde um nódulo pequeno e avermelhado, até a presença de inchaço na região e manchas vermelhas, como hematomas. Também podem ocorrer quadros gastrointestinais, como vômito e diarreia, devido a liberação da histamina pela neoplasia”, cita Duarte.


