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PIF e GS-441524 – Portal Cães e Gatos

A Peritonite Infecciosa Felina (PIF) está entre as doenças de gatos mais graves. Além do seu potencial fatal, representa dois desafios para os médicos-veterinários: a dificuldade em chegar a um diagnóstico e a ausência de registro e aprovação oficial para uso veterinário da medicação para o tratamento no Brasil. – PUBLICIDADE – A médica-veterinária especializada […]

A Peritonite Infecciosa Felina (PIF) está entre as doenças de gatos mais graves. Além do seu potencial fatal, representa dois desafios para os médicos-veterinários: a dificuldade em chegar a um diagnóstico e a ausência de registro e aprovação oficial para uso veterinário da medicação para o tratamento no Brasil.

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A médica-veterinária especializada em Medicina Felina e Oncologia veterinária, Érica Baffa, relata que a PIF é uma enfermidade viral grave, sistêmica e imunomediada, que afeta felinos domésticos e selvagens. 

“A PIF surge quando o Coronavírus Entérico Felino (FECoV), que geralmente causa infecções entéricas leves e autolimitantes, sofre uma mutação dentro do organismo do animal, se transformando em FCoV. O FCoV é o biótipo virulento, que carrega o Vírus da PIF (VPIF) e adquire a capacidade de se replicar dentro dos macrófagos/monócitos e se disseminar pelo organismo”, explica.

Diferente do que muitos pensam, a Peritonite Infecciosa Felina não é uma doença infectocontagiosa, ou seja, não é transmitida entre gatos. 

“O que é altamente contagioso é o vírus que a causa, o Coronavírus Entérico Felino (FCoV), que é transmitido, principalmente, pela via fecal-oral através do contato com fezes contaminadas, fômites e compartilhamento de caixas de areia”, esclarece. 

Quando ocorre a ingestão do FCoV, o vírus se replica, especialmente, nas células do intestino (enterócitos) e, em um pequeno número de gatos, sofre uma ou mais mutações genéticas, que alteram a sua capacidade de replicação. 

“A mutação acontece em felinos predispostos geneticamente. Neles o vírus mutado (VPIF) ganha a capacidade de infectar e se replicar dentro dos macrófagos e monócitos, que são células de defesa. Mesmo assim, o vírus não é transmitido para outros animais”, pontua a veterinária. 

Quem são os mais acometidos?

Érica comenta que a doença possui maior incidência em gatos jovens, apresentando pico de desenvolvimento entre três meses e três anos de idade. “Alguns estudos relatam que 70% a 90% dos gatos com PIF têm menos de dois anos”, cita.

Com relação às raças mais predispostas, pesquisas apontam como principais: birmanês, ragdoll, bengal, himalaio, abissínio e rex, incluindo também o devon rex e o cornish rex.

“Acredita-se que esta predisposição se deve à consanguinidade (endogamia) e à baixa diversidade genética em certas linhagens de criação, que pode levar a aumento da susceptibilidade à infecção pelo FCoV por conta de defeitos na resposta imunológica mediada por células”, relata.

A profissional também complementa informando que machos não castrados parecem ter uma frequência ligeiramente maior ao desenvolvimento da PIF. De acordo com ela, a não castração pode gerar um impacto negativo na função imunológica, além do fato de que machos intactos em ambientes de grupo podem exibir um comportamento mais territorial e estressante, aumentando o risco de infecção/mutação.

Já na sua rotina, felizmente, não há uma grande incidência. “A ocorrência é variável. Observo mais a presença de PIF em animais que residem em casas multicats ou com superpopulação de gatos, como gatis e abrigos”, relata.

Também pontua que a enfermidade é comum em locais estressantes para os felinos, visto que o estresse pode levar a imunossupressão transitória, aumentando o risco de mutação e manifestação clínica da PIF após a infecção pelo FCoV. 

Além disso, há ainda maior ocorrência em gatos imunossuprimidos, como os portadores de FeLV, por exemplo. 

Diagnóstico é um desafio

Os sinais clínicos da Peritonite Infecciosa Felina são inespecíficos. Geralmente, os animais manifestam febre persistente não responsiva a antibióticos, letargia, perda de apetite e perda de peso.

Como esses sinais podem ser confundidos com o de inúmeras outras condições, nem sempre a PIF é considerada rapidamente. No entanto, exames podem ajudar a chegar a um diagnóstico. 

“Algumas alterações fazem com que pensemos na doença, como aumento de bilirrubinas, relação albumina globulina de líquido livre menor que 0,4 e presença de icterícia, anemia, efusão abdominal ou torácica e granulomas. Contudo, atualmente quando estamos em frente a PIF úmida, o PCR quantitativo de Coronavírus Entérico Felino é o exame que mais utilizamos”, afirma a especialista. 

Inclusive, mesmo essa não sendo uma doença transmissível entre gatos, são indicados alguns cuidados perante a suspeita ou confirmação da enfermidade. 

Segundo Baffa, felinos com PIF não podem sofrer estresse ambiental e, como o Coronavírus Felino (FCoV) é transmitido, principalmente, pela via fecal-oral, é preciso evitar a contaminação através de práticas de manejo ambiental.

 “A higienização rigorosa é fundamental. Para isso deve-se limpar as caixas sanitárias e mantê-las longe dos potes de comida e água para prevenir a contaminação. Também indico reduzir aglomerações de felinos e, se houver um animal doente/suspeito, é essencial separar as caixas sanitárias”, aconselha. 

Confira o artigo completo “PIF e GS-441524” na íntegra e sem custo, acessando a página 54 da edição de dezembro (nº 316) da Revista Cães e Gatos.

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