Os benefícios dos suplementos são muito conhecidos na clínica médica de pequenos animais, mas ainda há um certo desconhecimento geral quando se fala desses produtos na rotina de cuidados com pets não convencionais.
Contudo, a médica-veterinária mestre em animais selvagens pela Unesp Botucatu, Raquel Naomi Tanaka Scaduto, comenta que também é bastante comum utilizar suplementos no atendimento de aves, répteis e mamíferos, visando suprir as necessidades nutricionais específicas de cada espécie.
“Sempre devemos nos atentar a como esse animal viveria na natureza e aproximar seu ambiente e alimentação ao máximo do que ele teria em vida livre. Porém, muitas vezes, essas necessidades são difíceis de suprir apenas com dietas comerciais ou preparadas em casa. Nesse cenário entram os suplementos”, explica.
A suplementação para pets não convencionais é altamente específica, pois visa atender requisições metabólicas únicas. Por isso, existem diferentes apresentações e composições, que levam em consideração a exigência de cada espécie.
Indicações são variadas
Mais do que suprir as necessidades nutricionais básicas, a suplementação também ajuda a corrigir deficiências comuns nas espécies.
“Em diversas situações o uso de suplementos pode ser indicado, mas ocorre com maior frequência quando a dieta fornecida não é nutricionalmente completa e balanceada. Isso é muito comum pois, na maioria das vezes, as necessidades dos animais são difíceis de suprir apenas com dietas comerciais ou preparadas em casa”, relata.
Conforme a profissional, aves que se alimentam, principalmente, de sementes tendem a ingerir muita gordura e poucos nutrientes, necessitando de um aporte de vitaminas e minerais.
Já os répteis, que na natureza estariam comendo presas, ingerindo carcaças com ossos e absorvendo o cálcio, quando são tidos como pets precisam de suplementação de cálcio. Ainda citando a espécie, quando há exposição a luz UVB inadequada é essencial a suplementação de vitamina D3, pois ela é crucial para a absorção de cálcio.
“Os suplementos também são aliados em fases específicas, como durante a gestação e lactação, postura de ovos e até para tratamento de alguma enfermidade, como distúrbios digestivos e problemas hepáticos, que são bastante recorrentes em pets não convencionais devido a alimentação incorreta”, cita.
Com base em tudo isso, os principais suplementos para pets não convencionais, são os multivitamínicos com amplo espectro de vitaminas, como A, B, C, D e E, e minerais, como cálcio, fósforo e zinco.
“O cálcio e a vitamina D3 são cruciais para a saúde óssea e prevenção de doenças metabólicas, especialmente em répteis e aves. Já os probióticos e prebióticos visam equilibrar a flora intestinal, melhorando a digestão e a absorção de nutrientes, o que é fundamental para a saúde digestiva sensível de coelhos e furões”, cita.
Coelhos, aves e roedores
Normalmente, os coelhos não precisam de suplementos se receberem dieta de alta qualidade. Para esses animais é fundamental ofertar alimentação rica em fibras e vitaminas, composta principalmente por feno, verduras variadas e frescas e ração de elevado valor nutricional.
“Falando especificamente deles, a suplementação é mais indicada para tratamento de disbiose, no caso dos probióticos, ou animais com dieta muito ruim, que precisam de aporte nutricional para se recuperar. Nesse caso, são usados os complexos vitamínicos”, comenta a veterinária.
Por outro lado, existe uma ampla variedade de suplementos para aves, que podem apresentar diversas deficiências, especialmente devido a nutrição inadequada e pobre em nutrientes.
“Os principais suplementos para aves domésticas incluem polivitamínicos (com foco nas vitaminas A, D, E e complexo B), suplementos minerais (como cálcio e fósforo, especialmente para a produção de ovos), suplementos proteicos e aminoácidos (para crescimento e muda de penas) e suplementos com probióticos e outros aditivos para a saúde digestiva”, pontua.
O problema, conforme explica Raquel, é que esses produtos acabam sendo mais populares e os responsáveis pelos animais os administram de forma indiscriminada, podendo causar hipervitaminose, que é tão fatal quanto a hipovitaminose.
Mesmo existindo diversas espécies de roedores, cada uma apresenta necessidades diferentes. Porquinhos-da-índia, por exemplo, costumam requerer reposição de vitamina C, pois não conseguem sintetizá-la sozinhos e a sua deficiência pode causar escorbuto, uma doença grave.
“Essa vitamina é essencial para a saúde imunológica, colágeno e absorção de ferro. Normalmente, rações de qualidade específicas para os porquinhos-da-índia já contêm a quantidade recomendada de vitamina C, mas quando há uma dieta desequilibrada ou enfermidade, devemos suplementá-los”, esclarece.
Já no caso de hamsters, chinchilas, ratos e esquilos, não existe uma deficiência preexistente e, assim como ocorre com os coelhos, alimentação de qualidade basta para suprir suas necessidades. Porém, se houver desnutrição avançada pode ser preciso avaliar a possibilidade de administrar polivitamínicos e minerais.


