Camila Santos, de Campinas (SP)
De 31 de julho a 2 de agosto, o Expo Dom Pedro, em Campinas (SP), recebeu uma imersão na ciência da dor animal durante o COMDOR – Congresso Medvep de Dor e Anestesiologia Veterinária. Dentre os destaques da programação, foi Paulo Marinho, professor de Cirurgia de Pequenos Animais (Ortopedia) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que ministrou duas palestras voltadas às doenças dolorosas da coluna vertebral dos cães, atraindo grande interesse dos congressistas.
Especialista em cirurgia de pequenos animais, Marinho abriu sua participação com a palestra “Até onde posso ir no manejo clínico da extrusão aguda do disco intervertebral?”. A apresentação propôs uma reflexão sobre os limites da terapia conservadora e os critérios objetivos que devem nortear a indicação cirúrgica. “O ponto alto foi, sem dúvida, quando discutimos a definição do momento exato para indicar ou não a cirurgia. Saber reconhecer o tipo de caso e os critérios clínicos é essencial para um desfecho positivo”, destaca o professor.
Em seguida, ele conduziu a palestra “Quais são as principais afecções dolorosas da coluna vertebral do cão?”, aprofundando as causas mais prevalentes de dor espinhal na rotina clínica. Marinho destacou que o tema ainda é pouco explorado entre os clínicos gerais, o que contribui para as dúvidas recorrentes sobre diagnóstico, fisiopatologia e tratamento. “Essas doenças são muito prevalentes, mas conhecer cada uma delas exige informação e experiência. Faltam estudos para validar determinadas condutas e compreender melhor os mecanismos de dor, o que torna o tema ainda mais desafiador”, afirma.
Segundo ele, essa lacuna no conhecimento e a alta frequência dos casos tornam o assunto um dos mais debatidos dentro da neurologia e cirurgia veterinária. “Durante e após as palestras, foram muitas perguntas, principalmente de profissionais que não trabalham diretamente com coluna. A dúvida é natural, porque ainda há respostas que a ciência não nos deu”, completa.

A presença do professor no COMDOR foi marcada também pela valorização da interdisciplinaridade. “Foi muito bom compartilhar essa experiência com colegas que atuam em dor, anestesiologia, fisiatria. Essa integração entre áreas só engrandece a medicina veterinária. É um evento maravilhoso”, elogia.
A profundidade técnica das palestras, combinada à experiência prática do palestrante, gerou um ambiente de forte engajamento entre os participantes. Para Marinho, associar vivência de campo com literatura atualizada foi fundamental para conectar a teoria com os desafios clínicos reais. “É isso que faz o público se envolver: entender como aplicar o que está publicado em situações de decisão difíceis, como quando e por que operar”, pontua.
O professor encerrou sua participação com uma mensagem clara aos clínicos: não basta reconhecer os sinais de dor vertebral, é preciso entender seu contexto e evolução. “Avaliar o quadro de forma abrangente, respeitando a individualidade de cada caso, é o que vai definir o sucesso terapêutico”, conclui.
A cobertura completa do COMDOR 2025 continua no portal Cães&Gatos, com os principais destaques das palestras, entrevistas exclusivas e insights de especialistas que estão transformando a abordagem da dor na medicina veterinária brasileira.
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