PUBLICIDADE

o que você precisa saber para começar

Apenas em 2024 o setor pet brasileiro atingiu um faturamento de R$ 74,5 bilhões. Essa é uma boa notícia para os médicos-veterinários, que podem atuar em diferentes áreas, inclusive no atendimento veterinário a domicílio. Contudo, diferente do que acontece nas clínicas, no qual o plantonista tem acesso a todos os insumos e infraestrutura, para trabalhar […]

Apenas em 2024 o setor pet brasileiro atingiu um faturamento de R$ 74,5 bilhões. Essa é uma boa notícia para os médicos-veterinários, que podem atuar em diferentes áreas, inclusive no atendimento veterinário a domicílio.

Contudo, diferente do que acontece nas clínicas, no qual o plantonista tem acesso a todos os insumos e infraestrutura, para trabalhar com consultas domiciliares é preciso preparo e, claro, investimento. Aspectos esses que costumam gerar muitas dúvidas.

Para esclarecê-las entrevistamos Fabricio Araujo Gomes e Andressa Araujo Gomes, médicos-veterinários fundadores do Casal Vet, serviço que já realizou mais de 16 mil atendimentos domiciliares.

Segundo eles, quando se fala em serviços que podem ser feitos a domicílio, é importante entender que isso vai muito além da clínica geral.

“Hoje vemos crescer muitas especialidades dentro do atendimento veterinário a domicílio, como felinos, dermatologia e a própria medicina integrativa. Claro, existem outras, mas essas vêm se destacando tanto pela procura dos veterinários quanto pela demanda dos tutores”, comentam.

No entanto, é fundamental entender que o atendimento domiciliar deve ser feito apenas em casos onde o animal não está em estado grave. Os profissionais explicam que situações de urgência ou emergência não são indicadas para esse tipo de serviço.

“Para saber se o quadro é urgente é preciso realizar um pré-atendimento, que nada mais é do que uma anamnese prévia, onde o veterinário irá entender se tem a capacidade técnica de atender aquele caso ou se é melhor encaminhar. Nesse primeiro contato também é possível avaliar se possui o suporte necessário para atender o pet”, explicam.

Como se preparar para começar a atender?

A maleta de atendimentos é uma grande aliada dos médicos-veterinários. Nela é onde serão guardados todos os insumos e equipamentos utilizados na rotina de consultas domiciliares.

“Com relação aos materiais, o mais importante é ter o básico muito bem organizado. Como itens básicos podemos citar estetoscópio, termômetro, balança, lanterna ou otoscópio, focinheiras, garrote, tesoura, pinça, gaze, algodão, álcool, seringas, agulhas, tubos para coleta de sangue e também tapete higiênico ou manta para examinar o paciente”, exemplificam.

Além disso, deve-se incluir um kit mínimo de medicações. Dentre elas, os profissionais citam anti-inflamatório, analgésico, antiemético, soro, vermífugo, vitamina B12, vitamina K e algum antibiótico.

“Todos esses itens devem estar organizados dentro de necessaires ou bolsinhas menores para não ficarem jogados e pode-se investir em frascos para armazenar álcool e outros líquidos”, pontuam.

Para complementar, os médicos-veterinários recomendam incluir na maleta de atendimento pomada cicatrizante e pequenas soluções antissépticas.

Além disso, investir em itens personalizados é uma maneira de construir a marca e deixar o trabalho mais profissional.

“A personalização vai desde a cor do uniforme até as carteirinhas de vacinação e o receituário. Se no início não puder investir nisso, comece com o básico sem personalização, mas assim que possível coloque seu nome, logo, CRMV e suas cores nos materiais. Isso conta muito para o tutor”, aconselham.

O estetoscópio é um dos itens que não pode faltar na maleta de atendimento veterinário a domicílio (Foto: Reprodução)

Onde armazenar os insumos?

O Casal Vet esclarece que, com relação a escolha da maleta para o atendimento veterinário a domicílio, o mais importante não é o modelo e sim a forma como os insumos são organizados.

“Pode ser mochila, bolsa de mão, tiracolo ou até mala com rodinha. Já vimos veterinários usando até aquelas bolsas que viram mesinha para os pets. O que precisa ter em mente é que não se está levando uma clínica inteira para dentro da casa do cliente”, pontuam.

Sendo assim, o conselho dado pelos profissionais é escolher algo que funcione conforme as preferências e o volume de atendimentos. “Contudo, o material precisa ser lavável e resistente ao álcool”.

Já citando o cooler para vacinas, há uma ampla variação. Porém, existem basicamente dois tipos: os rígidos de plástico e os maleáveis, que são produzidos em tecido impermeável.

“Nós preferimos o maleável por ser mais fácil de acomodar. No entanto, um ponto importante na hora da escolha é avaliar o preço, pois um cooler muito barato, que custa entre R$ 40 e R$ 50, não costuma manter a temperatura adequadamente”, explicam.

Como dica, eles relatam que utilizam atualmente uma geladeira portátil compatível com tomadas 110V, 220V e até com a de 12V presente no carro. O produto tem ainda uma bateria com autonomia de quatro horas.

Com relação a temperatura interna adequada para as vacinas, o ideal é que se mantenha entre 2°C e 8°C. “Para aferir usamos um termômetro próprio para caixa térmica e vamos ajustando a quantidade de gelox. Quando atendíamos em Manaus, onde as temperaturas passam de 30°C, usávamos três gelox médios para um dia todo. Em outros locais mais frescos dois costumam ser suficientes”, esclarecem.

Cuidados com a segurança são essenciais

Por mais que o atendimento veterinário a domicílio tenha inúmeras vantagens, quando se entra na casa de pessoas desconhecidas é preciso tomar algumas precauções.

Segundo Fabricio e Andressa, esses cuidados devem contemplar a segurança do veterinário em relação ao tutor e ao animal.

“Para a segurança pessoal tudo começa no pré-atendimento, quando são coletados dados como nome completo do responsável pelo pet, endereço, RG e CPF. Também evitamos áreas sabidamente perigosas e, sempre que íamos em um cliente novo, mandávamos a localização em tempo real para um parente ou para a secretária”, comentam.

Já as precauções com o paciente são indicadas, principalmente, quando se fala de animais de porte médio e grande. Os profissionais explicam que sempre levam nos atendimentos focinheira, coleira e guia.

“Muitos tutores nem tem uma guia em casa, por isso contamos com um kit para usar se necessário. Além disso, quem coloca a focinheira no animal é o tutor”, recomendam.

A focinheira é um dispositivo de segurança essencial para médicos-veterinários (Foto: Reprodução)

Como conquistar clientes?

No início é normal não ter muitos clientes para o atendimento veterinário a domicílio, mas existem diferentes estratégias que podem ajudar a conquistá-los.

“Aqui trabalhamos com mais de dez formas de divulgação, que vão desde o Instagram até parcerias presenciais e eventos. Não dá para negligenciar o marketing digital”, afirmam os médicos-veterinários.

Contundo, eles também complementam que o digital não substitui o convencional. “A indicação continua sendo fortíssima. É preciso criar uma experiência tão boa para o cliente, que ele queira indicar o serviço”, finalizam.

FAQ sobre o atendimento veterinário a domicílio

Quais documentos são necessários para comprar medicamentos veterinários?

Para adquirir medicações para a maleta de atendimento é preciso ter CRMV ativo e cadastro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)

O atendimento veterinário a domicílio é regulamentado?

Atualmente não existe nenhuma legislação federal que regulamente o atendimento veterinário a domicílio. Porém, alguns estados têm resoluções próprias sobre essa prática e o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) já reconhece e orienta sobre o serviço.

O que é preciso para um veterinário atender a domicílio?

Para começar a atender a domicílio é preciso adquirir insumos básicos, como estetoscópio, agulhas, seringas, termômetros e algumas medicações. Também deve-se investir em um cooler para armazenamento de vacinas.

LEIA TAMBÉM:

Medicina Veterinária Legal: Área ainda pouco explorada por médicos-veterinários

Câmara analisa PDL contra ensino semipresencial em Medicina Veterinária

Telemedicina veterinária é uma tendência em crescimento no mundo



Cães e Gatos- Conteúdo Original

Leia mais

PUBLICIDADE