PUBLICIDADE

Moléculas identificadas em câncer canino podem ajudar no tratamento do câncer humano – Portal Cães e Gatos

Pesquisadores da Universidade de Guelph, no Canadá, estão avançando no entendimento de um dos cânceres ósseos mais agressivos ao identificar moléculas presentes em cães que também podem melhorar o tratamento do osteossarcoma em humanos.  – PUBLICIDADE – O trabalho é conduzido na Ontario Veterinary College (OVC) por uma equipe interdisciplinar que reúne especialistas das áreas […]

Pesquisadores da Universidade de Guelph, no Canadá, estão avançando no entendimento de um dos cânceres ósseos mais agressivos ao identificar moléculas presentes em cães que também podem melhorar o tratamento do osteossarcoma em humanos. 

– PUBLICIDADE –

O trabalho é conduzido na Ontario Veterinary College (OVC) por uma equipe interdisciplinar que reúne especialistas das áreas de saúde animal e humana.

O estudo é liderado pelo Dog Osteosarcoma Group – Biomarkers of Neoplasia (DOGBONe), iniciativa que busca desenvolver exames de sangue mais precoces e precisos para o diagnóstico do osteossarcoma — uma doença rara, mas altamente letal, tanto em pessoas quanto em animais.

Osteossarcoma: um desafio que atravessa espécies

Atualmente, o tratamento em humanos envolve quimioterapia associada à cirurgia. Quando o câncer ainda não se espalhou no momento do diagnóstico, a taxa de sobrevivência varia entre 60% e 75%. 

No entanto, cerca de um terço dos pacientes apresenta recidiva com metástases, e 80% desses pacientes podem morrer em até cinco anos. Esse cenário permanece praticamente inalterado há mais de três décadas.

Os métodos diagnósticos atuais também apresentam limitações. A análise do tumor em microscópio, baseada em sua aparência, nem sempre consegue prever com precisão como o paciente responderá ao tratamento. 

Além disso, não há como detectar metástases antes que elas se tornem visíveis em exames de imagem, como tomografias.

Na OVC, os pesquisadores adotaram uma abordagem diferente: em vez de usar culturas celulares ou modelos em camundongos, passaram a estudar cães de companhia diagnosticados com osteossarcoma.

“Em níveis genéticos e clínicos, o câncer é quase idêntico em cães e humanos”, explica Dr. Geoffrey Wood, professor de patobiologia da Universidade de Guelph e co-líder do DOGBONe. “Nos cães, especialmente de raças grandes e idosas, o osteossarcoma é cerca de dez vezes mais comum e evolui de forma mais rápida. Essa semelhança biológica cria uma oportunidade poderosa de avançar pesquisas que beneficiem ambas as espécies.”

Segundo Dr. Alicia Viloria-Petit, professora de ciências biomédicas e co-líder do grupo, os avanços da última década em biologia do câncer e engenharia biomédica permitiram identificar marcadores genéticos capazes de explicar melhor a progressão da doença.

O impacto das MicroRNAs

Uma dessas descobertas envolve as microRNAs, pequenas moléculas que regulam o crescimento e o comportamento das células. 

Elas ganharam destaque recentemente após renderem o Prêmio Nobel de Medicina de 2024 a cientistas dos Estados Unidos.

Presentes em todo o organismo, os microRNAs costumam aparecer em níveis alterados em diversos tipos de câncer. 

Em estudo publicado na revista PLOS One, a equipe de Wood identificou um microRNA específico elevado em cães com osteossarcoma, associado a menor tempo de sobrevida e maior velocidade de disseminação da doença.

“Estamos trabalhando ativamente para transformar essa descoberta em um teste rápido e prático, que ajude tutores e veterinários a tomar decisões importantes sobre o tratamento”, afirma Wood.

Essas informações permitem avaliar se vale a pena investir em quimioterapia ou priorizar cuidados paliativos, focados na qualidade de vida do animal.

Moléculas identificadas em câncer canino podem ajudar no tratamento do câncer humano
Descobertas podem prever precocemente o desenvolvimento de metástase em humanos e cachorros (Foto: Reprodução)

Da Medicina Veterinária ao laboratório humano

Os resultados obtidos em cães já estão sendo aplicados à versão humana do câncer. Uma das soluções em desenvolvimento pelo DOGBONe é um sistema ‘lab-on-a-chip’, capaz de medir microRNAs no sangue de pacientes humanos.

A tecnologia, coordenada por Dr. Huiyan Li, professora de engenharia biomédica, utiliza microcanais para analisar fluidos sanguíneos, executando em um único dispositivo funções que antes exigiam laboratórios completos. Testes de COVID-19 são exemplos simplificados desse tipo de sistema.

O objetivo da equipe é criar um dispositivo que ajude a prever precocemente a metástase do osteossarcoma em humanos.

Além da pesquisa, o DOGBONe aposta na aproximação entre cientistas e pacientes. Neste ano, o grupo promoveu um evento inédito que reuniu pesquisadores e sobreviventes do osteossarcoma — humanos e caninos — para compartilhar histórias e experiências pessoais.

O projeto é apoiado pelo OVC Pet Trust e pelo Ontario Institute for Cancer Research, reforçando o compromisso de conectar quem enfrenta a doença com quem trabalha diariamente para avançar no tratamento.

Fonte: Universidade de Guelph, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre as ligações entre o câncer canino e o câncer humano

O que são microRNAs e por que elas são importantes no câncer?

São pequenas moléculas que regulam o comportamento das células e podem indicar a progressão e a gravidade de tumores.

Por que estudar cães ajuda no tratamento do câncer humano?

Porque o osteossarcoma em cães é geneticamente muito semelhante ao humano, permitindo avanços mais rápidos e aplicáveis às duas espécies.

Como essa descoberta pode impactar o futuro do diagnóstico?

Ela pode resultar em exames de sangue mais precoces e precisos, ajudando a prever metástases antes que se tornem visíveis em exames de imagem.

LEIA TAMBÉM:

Pesquisa aponta que algumas raças de cães estão mais predispostas a câncer agressivo

Diagnóstico precoce e terapias individualizadas redefinem o manejo do câncer em gatos

Cães podem auxiliar na detecção de doenças como câncer, Parkingson e Alzheimer através do faro

Cães e Gatos- Conteúdo Original

Leia mais

PUBLICIDADE