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Médica-veterinária chama atenção para Isosporose em cães e gatos

Muitas vezes confundida com a Parvovirose e a Giardíase, a Isosporose é uma doença parasitária intestinal, que pode acometer cães e gatos. Ela é causada por protozoários coccídios do gênero Cystoisospora. As principais espécies envolvidas são Cystoisospora canis e Cystoisospora ohioensis em cães e Cystoisospora felis e Cystoisospora rivolta em gatos. Isso é o que […]

Muitas vezes confundida com a Parvovirose e a Giardíase, a Isosporose é uma doença parasitária intestinal, que pode acometer cães e gatos.

Ela é causada por protozoários coccídios do gênero Cystoisospora. As principais espécies envolvidas são Cystoisospora canis e Cystoisospora ohioensis em cães e Cystoisospora felis e Cystoisospora rivolta em gatos. Isso é o que explica a médica-veterinária pós-graduada em Gastroenterologia, que atua no Hospital Veterinário Pet Care, Fernanda Torres Marchiori.

Segundo a profissional, a doença ocorre com maior frequência em filhotes devido ao sistema imunológico ainda imaturo, que os torna mais suscetíveis à infecção. Outro fator que colabora para isso é a exposição a ambientes com alta densidade populacional, como canis e gatis.

“Em animais adultos a Isosporose é menos comum, mas pode ocorrer em indivíduos imunocomprometidos ou naqueles com doenças intestinais crônicas de base, que prejudicam as defesas locais. Contudo, o estabelecimento da infecção depende de múltiplos fatores, como carga parasitária, patogenicidade do agente, imunocompetência do hospedeiro e condições de manejo e higiene”, relata.

Ciclo de contágio da doença

Fernanda comenta que a contaminação da doença ocorre pela via oro fecal, ou seja, através da ingestão de oocistos esporulados presentes no ambiente.

“Animais infectados eliminam oocistos nas fezes, que necessitam de um período de maturação no ambiente de dois a cinco dias para se tornarem esporulados e, portanto, infectantes”, explica.

Ela complementa esclarecendo que depois da ingestão dos oocistos esporulados, os esporozoítos são liberados no trato gastrointestinal e penetram nas células do epitélio intestinal, principalmente na região do íleo e do cólon. Lá se multiplicam e causam lesões inflamatórias, que resultam em diarreia e outros sinais clínicos.

“O ciclo de vida do protozoário é direto, não precisando de um hospedeiro intermediário para sua manutenção. Porém, hospedeiros paratênicos – que são aqueles que não são obrigatórios para que o ciclo de vida do parasita ocorra -, como roedores, podem ingerir oocistos e abrigar formas teciduais do parasita, contribuindo para sua disseminação quando predados por cães ou gatos”, pontua.

Dessa forma, a Isosporose pode levar a sinais clínicos variados. De acordo com a médica-veterinária, os mais comuns são diarreia de intensidade variável, que pode ser pastosa a líquida e com ou sem presença de muco ou sangue, desidratação, perda de peso, anorexia e episódios de vômito.

A Isosporose é mais comum em filhotes e atinge, principalmente, os que vivem em locais com grande quantidade de animais (Foto: Reprodução)

Diferenciando a Isosporose de outras doenças

Por conta dos sinais clínicos inespecíficos, pode acontecer da Isosporose ser confundida com outras doenças. Devido a isso, é preciso tomar cuidado na hora do diagnóstico.

A profissional pontua que um diagnóstico assertivo começa com anamnese completa, considerando histórico ambiental, origem do animal e situação vacinal, pois esses dados ajudam a orientar a suspeita clínica.

Para diferenciá-la de outras enfermidades é indicada a realização de exames complementares.

“O diagnóstico da Isosporose é feito através de exame coproparasitológico, principalmente pelas técnicas de flutuação para a detecção e identificação dos oocistos de Cystoisospora nas fezes”, cita.

No entanto, Marchiori alerta que um exame coproparasitológico negativo não exclui o diagnóstico. Isso acontece devido à eliminação intermitente dos oocistos.

Logo, é indicada a realização seriada do exame de fezes com três amostras em dias alternados para aumentar, significativamente, a probabilidade de detecção.

“Já para diagnosticar especificamente a Giardíase pode ser utilizado o teste imunocromatográfico (ELISA) e para a Parvovirose estão disponíveis testes rápidos de detecção de antígenos nas fezes ou técnicas moleculares (PCR)”, afirma.

Tratamento pode ser desafiador

Fernanda comenta que a principal dificuldade do tratamento da Isosporose em cães e gatos é a eliminação dos oocistos do ambiente, que apresentam alta resistência a maioria dos desinfetantes convencionais. Esse aspecto favorece reinfecções recorrentes.

“A estratégia terapêutica deve ser multimodal, combinando tratamento específico com manejo ambiental rigoroso e tratamento adjuvante de suporte à saúde intestinal”, esclarece.

Com relação ao manejo ambiental, ela recomenda higienização rigorosa, remoção imediata das fezes e desinfecção do ambiente. Inclusive, os cuidados com o ambiente são extensos.

A profissional dá alguns conselhos:

  • Deve-se isolar os animais infectados para evitar contato com indivíduos saudáveis;
  • Embora nenhum desinfetante seja totalmente eficaz contra oocistos da Isosporose, a limpeza frequente reduz significativamente a carga parasitária. Para isso podem ser utilizados hipoclorito de sódio, desinfetantes à base de peróxido de hidrogênio ou compostos de amônia;
  • A higienização de fômites, como comedouros e bebedouros, deve ser feita diariamente em água fervente por 60 minutos. Já objetos de difícil higienização, como brinquedos de madeira ou pano, devem ser descartados;
  • Fornecer aos animais apenas água filtrada para reduzir risco de ingestão de oocistos;
  • Lavar diariamente cobertores, caminhas e superfícies em contato com os pets;
  • Remover tapetes ou superfícies têxteis de difícil higienização do ambiente durante o tratamento;
  • No caso dos gatos, fazer a troca e limpeza diária da caixa de areia;
  • Fazer a higienização diária da região perianal dos animais infectados e dar banho neles no último dia do ciclo medicamentoso;
  • Uso de colar elisabetano em animais que costumam ingerir fezes ou lamber a região perianal.

A Isosporose tem cura?

Por mais que o tratamento da Isosporose tenha seus desafios, a boa notícia é que a doença pode ser curada. Porém, existem ressalvas.

“Devido à resistência ambiental dos oocistos e a possibilidade de reinfecções, alguns animais podem se tornar portadores assintomáticos e eliminar os agentes no ambiente mesmo sem apresentar sinais clínicos”, esclarece a médica-veterinária.

Conforme explica, no caso de pets que são tratados e permanecem positivos para a doença, mas estão clinicamente saudáveis, é indicado manter as estratégias de suporte à saúde intestinal, como dietas de alta digestibilidade e probióticos, que auxiliam no equilíbrio da microbiota e na resposta imunológica local.

“Vale ressaltar que animais portadores assintomáticos podem continuar eliminando oocistos no ambiente e se tornam fontes de infecção para outros indivíduos. Por isso, é fundamental adotar estratégias rigorosas de manejo e higienização para reduzir o risco de transmissão a animais contactantes”, conclui.

FAQ sobre a Isosporose

Como prevenir a doença?

A prevenção da Isosporose pode ser feita a partir da adoção de medidas sanitárias e de manejo ambiental, especialmente em canis e gatis. Exemplos disso são higienização dos ambientes em que os animais ficam com produtos específicos, remoção imediata das fezes e trocas periódicas da areia dos gatos.

Quais são as possíveis complicações da Isosporose?

No caso de filhotes com quadros agudos de diarreia e vômitos a doença pode levar a hipovolemia, resultando em hipotensão. Também é possível ocorrer atrofia das vilosidades intestinais, que ocasione algum grau de comprometimento funcional do epitélio intestinal, má absorção e possível atraso no crescimento de filhotes.

Quais os principais sintomas da Isosporose em cães e gatos?

Animais com Isosporose podem apresentar diarreia pastosa a líquida e com ou sem presença de muco ou sangue, desidratação, perda de peso, anorexia e episódios de vômito.

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