A maioria dos cães expostos a cigarros eletrônicos não apresenta sintomas ou desenvolve apenas sinais clínicos leves, segundo um novo estudo conduzido pelo Veterinary Poisons Information Service (VPIS), serviço britânico de referência em toxicologia veterinária.
A pesquisa, publicada na Journal of Small Animal Practice, analisou 321 casos de exposição exclusiva a cigarros eletrônicos, a maioria notificada por clínicas veterinárias.
Em 53% das ocorrências, os animais permaneceram assintomáticos, e apenas uma morte foi diretamente atribuída a esse tipo de exposição.
Sintomas mais comuns foram leves
De acordo com os pesquisadores, não houve relação direta entre a dose relatada e a gravidade da intoxicação. Entre os sinais clínicos observados, os mais frequentes foram:
- Vômitos (23,1% dos casos)
- Hipossalivação (13,1%)
- Taquicardia (9%)
Em relação ao manejo clínico, 45,2% dos cães receberam algum tipo de descontaminação gastrointestinal, enquanto 27,7% foram apenas mantidos em observação ou não necessitaram de tratamento.
Caso fatal foi exceção
A única morte registrada no estudo envolveu um cão que entrou em colapso cerca de três horas e meia após a exposição.
O animal apresentou sinais como taquicardia persistente, taquipneia e hipotensão, evoluindo de forma desfavorável.
Apesar de episódios graves serem considerados raros, os autores destacam que cada situação deve ser avaliada com cautela.
“Embora os efeitos graves após a exposição a cigarros eletrônicos ou aos líquidos dos cigarros eletrônicos sejam pouco frequentes em cães, cada caso deve ser analisado individualmente para determinar a necessidade de descontaminação ou tratamento”, afirmou Nicola Bates, autora principal do estudo.
Casos ainda são raros, mas tendência é de aumento
O estudo também chama atenção para um aumento gradual no número de ocorrências no Reino Unido.
Os pedidos de informação ao VPIS passaram de um caso em 2011 para 13 em 2024.
Ainda assim, os episódios continuam sendo pouco frequentes. Ao longo do período analisado, os casos relacionados a cigarros eletrônicos representaram apenas 0,75% de mais de 178 mil atendimentos envolvendo cães registrados pelo serviço.
Especialistas reforçam que, mesmo diante de sinais leves, a orientação veterinária é fundamental sempre que houver suspeita de ingestão ou contato de pets com cigarros eletrônicos ou seus líquidos.
Fonte: Veterinaria Atual, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre exposição de cães a cigarros eletrônicos
Cigarros eletrônicos são perigosos para cães?
Podem causar intoxicação, mas a maioria dos casos resulta em sintomas leves ou ausência de sinais clínicos.
Quais sintomas podem aparecer após a exposição?
Vômitos, hipersalivação e aumento da frequência cardíaca são os mais comuns.
O que fazer se o cão tiver contato com um cigarro eletrônico?
Procurar um médico-veterinário para avaliação e orientação, mesmo que o animal não apresente sintomas.
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