A humanização dos animais de estimação se tornou tão presente nos mercados de alimentação e cuidados pet que, hoje, é difícil imaginar tutores que não considerem cães e gatos parte da família.
Essa percepção, comum em países desenvolvidos, começa agora a ser analisada de forma mais científica.
Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Vilnius, na Lituânia, indica que fatores sociais têm papel mais relevante na intensidade do vínculo entre humanos e animais de companhia do que aspectos como renda, nível educacional ou localização geográfica.
Pets ocupam o papel de filhos para muitos tutores
A pesquisa ouviu 571 tutores de animais de estimação — em sua maioria donos de cães — e, embora os dados se restrinjam à realidade lituana, os resultados refletem comportamentos observados em diversos outros países.
Entre os entrevistados, 66,7% afirmaram se referir aos seus pets como filhos. Segundo a professora associada Evandželina Petukienė, uma das autoras do estudo, tendências semelhantes já foram identificadas em levantamentos internacionais.
Outros dados reforçam a força desse vínculo emocional:
- Mais de 90% concordam que seus cães ou gatos são verdadeiros membros da família
- A maioria afirma não economizar quando o assunto é alimentação pet, optando pelas melhores opções disponíveis
- 43% disseram se preocupar mais com a saúde do animal do que com a própria
Mulheres e pessoas que moram sozinhas humanizam mais os animais
O estudo também identificou diferenças de comportamento entre grupos específicos. As mulheres tendem a humanizar mais seus pets do que os homens, criando vínculos emocionais mais intensos.
Entre os hábitos citados estão comemorar aniversários dos animais, dar presentes e buscar produtos personalizados.
Pessoas que vivem sozinhas também demonstram maior propensão a formar laços emocionais profundos com seus cães e gatos, reforçando o papel dos pets como companheiros no dia a dia.
Jovens lideram a tendência de tratar pets como família
A faixa etária entre 19 e 25 anos foi a que mais atribuiu características humanas aos animais, considerando-os membros da família e chamando-os de filhos.
De acordo com Petukienė, esse comportamento pode estar relacionado ao crescimento do movimento child-free entre as gerações mais jovens, que optam por não ter filhos.
Esse perfil se conecta a mudanças de estilo de vida, novas prioridades e à busca por vínculos afetivos que se encaixem em rotinas mais flexíveis.
Embora alguns resultados tenham surpreendido os pesquisadores locais, o padrão observado é semelhante ao de países como Estados Unidos e nações da Europa Ocidental, onde a humanização dos pets já é uma realidade consolidada.
Com o crescimento da adoção de animais de estimação em regiões emergentes, a tendência é que esse nível de vínculo emocional também se intensifique.
Fonte: Pet Food Industry, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre humanização dos pets
O que significa humanização dos pets?
É o processo pelo qual tutores passam a tratar cães e gatos como membros da família, atribuindo a eles papéis emocionais semelhantes aos humanos.
O que o estudo da Lituânia revelou?
Que fatores sociais e emocionais influenciam mais o vínculo com os pets do que renda, escolaridade ou local de moradia.
Quem tende a humanizar mais os animais?
Jovens adultos, mulheres e pessoas que vivem sozinhas apresentam vínculos emocionais mais intensos com seus pets.
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