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do meio rural para o urbano – Portal Cães e Gatos

Com distribuição em todo o território nacional, a Leishmaniose representa um problema de saúde pública, tendo um importante potencial zoonótico.  – PUBLICIDADE – Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), em 2023 o Brasil registrou cerca de 13 mil casos de Leishmaniose Tegumentar e dois mil casos de Leishmaniose Visceral, que é a mais grave […]

Com distribuição em todo o território nacional, a Leishmaniose representa um problema de saúde pública, tendo um importante potencial zoonótico. 

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Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), em 2023 o Brasil registrou cerca de 13 mil casos de Leishmaniose Tegumentar e dois mil casos de Leishmaniose Visceral, que é a mais grave e potencialmente fatal. 

A forma tegumentar apresentou maior prevalência na região Norte, especialmente nos estados do Pará e Amazonas, enquanto a forma visceral teve surtos localizados, principalmente, no Norte e Nordeste do país.

Paulo Abílio Varella Lisboa, médico-veterinário, mestre e doutor em Ciências Veterinárias e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, explica que, historicamente, a concentração de casos humanos e a endemicidade da doença têm sido mais elevadas nas regiões Nordeste e Norte do país. 

“Evidências epidemiológicas apontam que estados como Maranhão e Pará são pontos onde a Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) e a Leishmaniose Visceral apresentam altas taxas. Contudo, atualmente, estamos vendo a sua expansão para o Sudeste e Centro-Oeste, com a consolidação em ambientes urbanos e periurbanos. Estados como Minas Gerais e São Paulo têm registrado um aumento significativo e progressivo na notificação de casos, sendo MG particularmente notável como uma área de alta taxa de incidência”, pontua.

Raio-x da doença

A Leishmaniose Visceral é classificada no Brasil como uma zoonose de notificação compulsória, sendo caracterizada por um padrão epidemiológico de expansão contínua e marcada urbanização. 

Segundo a médica-veterinária especialista em Dermatologia e membro do Brasileish, Romeika Reis Lima, a enfermidade é causada por um protozoário chamado Leishmania. Esse protozoário é transmitido de diversas maneiras, com prevalência vetorial através da picada de um flebotomíneo. No Brasil, o principal flebotomíneo é o Lutzomyia longipalpis.  

O Lutzomyia longipalpis – conhecido popularmente como mosquito-palha, asa-dura ou birigui – é o responsável por realizar a transmissão do protozoário para todos os mamíferos, desde o homem até cães, gatos, cavalos, alguns roedores e marsupiais 

Paulo Abílio cita que também existem meios de transmissão não vetoriais, como a vertical (transplacentária), por transfusão sanguínea e até sexual, que está sendo objeto de investigação científica. 

“Pesquisas recentes mostraram a presença de Leishmania sp. em cadelas e em tecidos ou secreções do trato reprodutivo, principalmente no trato reprodutivo de cães machos, validando o risco de transmissão venérea. Esses dados tornam a castração de animais positivos uma medida sanitária recomendada”, esclarece.

Da zona rural para o meio urbano 

Por anos a Leishmaniose foi considerada uma doença de ambiente rural, mas aos poucos foi adentrando no espaço urbano. 

Esse processo aconteceu, principalmente, devido ao desmatamento e – na prática – foram os seres humanos que invadiram o habitat natural dos flebotomíneos. 

“O desmatamento desenfreado, com certeza, gerou um desequilíbrio no meio ambiente, fazendo com que houvesse um aumento do número dos casos de Leishmaniose no meio urbano. Além disso, com a urbanização, o flebotomíneo encontrou matéria orgânica para se multiplicar. Logo, nós invadimos o ecossistema do mosquito-palha e criamos um ambiente propício para a sua multiplicação”, explica a especialista.

Toda essa mudança de habitat fez com que fosse mais simples do protozoário completar o seu ciclo. 

Conforme cita Lima, o ciclo de transmissão da Leishmaniose começa com a picada do flebotomíneo em um animal doente ou infectado, que pode ter em sua pele uma grande quantidade de formas amastigotas de Leishmania.

Em seguida, o mosquito-palha faz o repasse sanguíneo, se alimentando. Nessa etapa as fêmeas se alimentam e ingerem as Leishmanias que estão na pele do animal. 

“Dentro do intestino do flebotomíneo as Leishmanias ingeridas passam da forma amastigota para a promastigota metacíclica infectante. A partir daí, o vetor torna-se, novamente, um transmissor da doença, podendo picar o ser humano ou outros mamíferos e transmitir as promastigotas”, relata.

Confira o artigo completo “Do meio rural para o urbano” na íntegra e sem custo, acessando a página 20 da edição de janeiro (nº 317) da Revista Cães e Gatos.

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