As férias costumam trazer planos de descanso, deslocamentos e novos cenários. Para quem convive com gatos, porém, surge uma dúvida comum: incluir o animal na viagem ou deixá-lo em casa é a melhor escolha?
De acordo com a médica-veterinária Samara Corrêa, do Hospital Veterinário do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ) e pós-graduanda em Medicina Felina pela Escola Brasileira de Metodologias Educacionais de Valor (Ebramev), a decisão deve ser sempre individualizada.
O primeiro passo é avaliar o perfil comportamental e o estado de saúde do felino, já que nem todos lidam bem com mudanças.
“É fundamental observar se o bichano tolera alterações de ambiente, se está adaptado à caixa de transporte e se não possui doenças que possam ser agravadas por situações de estresse”, explica Samara.
Antes de qualquer planejamento, a orientação é realizar um check-up e conversar com o profissional de confiança sobre os riscos e benefícios da viagem.
A consulta com veterinários que atuam com comportamento felino também pode ajudar a reduzir o impacto da mudança e preparar o novo espaço para a chegada do animal.

Viajar nem sempre é a melhor opção para gatos
No geral, os felinos não costumam gostar de viajar. Isso ocorre porque são animais territorialistas e a quebra da rotina, associada à troca de ambiente, tende a elevar significativamente o nível de estresse.
“O ideal, na maioria dos casos, é que o animal de estimação permaneça no espaço onde já se sente seguro”, destaca a veterinária.
Quando a família precisa se ausentar, uma alternativa mais confortável é contar com uma cat sitter ou com alguém próximo que já conheça os hábitos do animal, garantindo alimentação, limpeza e monitoramento do bem-estar durante o período fora.
Alguns comportamentos indicam que o gato não lida bem com alterações ambientais. Entre os sinais mais comuns estão vômitos, diminuição do apetite, vocalização excessiva, micção inadequada e reações agressivas, que podem ser direcionadas a outros animais ou aos próprios tutores.
Essas manifestações reforçam a importância de avaliar cuidadosamente se a viagem é, realmente, necessária e se o bichano apresenta perfil compatível com esse tipo de experiência.
Preparação e transporte exigem planejamento
Se a viagem for inevitável e o pet estiver bem para a ocasião, a preparação deve ser gradual e focada na redução do estresse.
A adaptação prévia à caixa de transporte é essencial, associando o objeto a experiências positivas, como petiscos e feromônios sintéticos.
Treinos progressivos com o carro, começando por períodos curtos, ajudam na dessensibilização.
Ainda assim, a especialista ressalta que o deslocamento só deve ocorrer se o bichano demonstrar boa tolerância durante esse processo.
Durante o trajeto, o animal deve permanecer sempre em uma caixa adequada ao seu tamanho, bem ventilada, estável e fixada com cinto de segurança.
O ambiente do veículo precisa estar fresco e silencioso, e o gato não deve ser retirado do espaço até a chegada ao destino, quando estiver em um local seguro, sem risco de fuga.
“Mesmo com todos os cuidados, a viagem só é indicada quando o felino realmente se adapta bem a esse tipo de situação”, reforça a profissional.
Documentos e itens indispensáveis
Para viajar, o bichano deve estar clinicamente saudável e, em alguns casos, portar um atestado veterinário emitido pouco tempo antes do deslocamento.
A vacina antirrábica válida é obrigatória, além da recomendação de manter as demais imunizações essenciais em dia.
Dependendo do tipo de passeio, podem ser exigidos documentos como a Guia de Transporte Animal (GTA) ou o Certificado Veterinário Internacional (CVI), além do cumprimento das regras da companhia aérea ou do país de destino, se o percurso for realizado de avião.
Na bagagem, é importante priorizar itens que ajudem a manter a rotina: ração habitual, potes conhecidos, medicamentos de uso contínuo, caixa de areia com substrato familiar e objetos com o cheiro do próprio animal, como cobertores e brinquedos.
“Manter elementos familiares ajuda a oferecer segurança emocional e reduzir o impacto da mudança”, conclui a veterinária.

FAQ sobre levar o gato para a viagem de férias
Como saber se meu gato está apto a se deslocar nas férias?
É necessário avaliar o perfil comportamental, a adaptação à caixa de transporte e o estado de saúde. Um check-up veterinário e a conversa com um profissional de confiança são essenciais para entender os riscos e benefícios da viagem.
Quais sinais indicam que meu pet não lida bem com trocas de ambiente?
Vômitos, perda de apetite, vocalização excessiva, micção inadequada e comportamentos reativos são sinais comuns de estresse intenso diante de alterações na rotina.
O que não pode faltar na mala do felino para a viagem de férias?
Ração habitual, potes conhecidos, medicamentos de uso contínuo e objetos com cheiro do próprio animal, como cobertores e brinquedos, fazem a diferença para manter a rotina.
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