O período de festas costuma vir acompanhado de um aumento significativo no número de acidentes e desaparecimentos de cães. Um dos principais gatilhos é o som dos fogos de artifício, que provoca reações intensas de medo e desorientação em alguns pets.
Segundo dados do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), a audição canina é muito mais sensível do que a humana, e ruídos acima de 60 decibéis — equivalentes a uma conversa em tom elevado — já podem desencadear estresse físico e emocional.
Diante desse cenário, a prevenção se torna essencial. O especialista em comportamento canino Richardson Zago, fundador da Zago Adestramento e sócio-fundador do Patinhas Urbanas, destaca que o susto faz o animal agir de forma impulsiva.
“O medo intenso pode levar a tentativas desesperadas de fuga, resultando em ferimentos graves ou desaparecimentos prolongados. Preparar o ambiente reduz significativamente esses riscos”, afirma.
Ambiente seguro faz diferença durante os fogos
Uma das primeiras medidas é organizar um espaço onde o cão se sinta protegido. Toquinhas, caixas de transporte, casinhas ou cantos fechados ajudam a criar uma sensação de abrigo.
“Locais menores transmitem segurança. É importante deixar tudo acessível para que ele escolha onde se acomodar”, orienta Zago.
Além disso, portões, janelas, varandas e portas de vidro precisam de atenção redobrada.
Em casas, o risco de o animal tentar pular muros ou atravessar grades aumenta. Em apartamentos, vidraças e acessos externos representam perigo real.
“Já registramos situações em que o cão se machucou ao tentar romper o vidro em um momento de pânico”, alerta.

O papel do dono no controle do medo
A postura de quem convive com o pet influencia diretamente a resposta emocional dele. Manter a calma é fundamental, assim como evitar reações exageradas.
“O cão usa o tutor como referência emocional. Quando percebe tranquilidade, tende a se acalmar mais rapidamente”, explica o especialista.
Abraços excessivos ou tentativas constantes de consolar podem ter o efeito oposto, reforçando a ideia de ameaça.
O objetivo deve ser transmitir estabilidade, não confirmar o medo. Também não é recomendado deixar o animal sozinho durante os fogos, especialmente se já houver histórico de sensibilidade a ruídos.
Estratégias simples ajudam a diminuir os impactos
Algumas técnicas podem amenizar o desconforto causado pelas explosões. O uso de algodão macio nos ouvidos ajuda a reduzir a pressão sonora, embora não elimine completamente o barulho.
Outra alternativa é a técnica do pano, que consiste em envolver o corpo do cachorro de forma leve, criando uma pressão suave. Esse estímulo pode auxiliar na regulação do sistema nervoso e diminuir a ansiedade.
A identificação atualizada também é indispensável. Coleiras com telefone, plaquinhas ou QR Code aumentam as chances de reencontro caso o pet consiga fugir.
Segundo Zago, essa é uma das medidas mais simples e eficazes de segurança.
“Quando o treino começa cedo, fingindo que nada está acontecendo, mantendo a rotina e evitando atenção excessiva, o barulho deixa de ser interpretado como algo ameaçador”, explica.
Associar o som dos fogos a experiências positivas também pode funcionar, desde que feito de forma correta e antecipada.
“É possível oferecer algo para roer e introduzir o som bem baixo enquanto o cão está focado em algo prazeroso. Mas isso deve acontecer antes do medo surgir. Se o estímulo positivo entra quando ele já está assustado, o pânico acaba sendo reforçado”, finaliza.

FAQ sobre como minimizar o medo de fogos de artifício
Por que esse tipo de barulho causa tanto estresse nos cães?
Porque a audição canina é muito mais sensível do que a humana. Sons acima de 60 decibéis, equivalentes a uma conversa em tom elevado, já podem provocar desorientação e estresse físico e emocional.
O que pode ser feito para evitar fugas durante os fogos?
É fundamental preparar o ambiente, reforçando portões, janelas, varandas e portas de vidro, além de manter a identificação atualizada na coleira. Criar um espaço seguro dentro de casa também ajuda a reduzir o impulso de fuga.
A postura do tutor influencia o comportamento do cão durante os fogos?
Sim. O cão usa o seu dono como referência emocional, por isso é necessário manter a calma, evitar reações exageradas e não deixá-lo sozinho contribui para que o animal se sinta mais seguro e se acalme com mais facilidade.
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