O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (15) que interveio para encerrar a disputa pública entre o filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), sobre a forma de lidar com o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Segundo Bolsonaro, o impasse foi resolvido “com uma conversa” e não há razão para dividir o grupo político.
“Conversei com Eduardo e Tarcísio, coloquei uma pedra em cima desse assunto. Não podemos nos dividir. Tarcísio é um grande gestor”, declarou o ex-presidente em entrevista ao Poder360.

Ele afirmou apoiar o esforço diplomático do governador, que se reuniu com Gabriel Escobar, encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, para discutir alternativas à taxação de 50% que entra em vigor em 1º de agosto.
Bolsonaro também negou qualquer participação da família na decisão do governo Trump. Segundo ele, não houve lobby ou articulação política direta, e tanto ele quanto Eduardo são contra a medida.
“Se eu fosse presidente, já teria resolvido, nos moldes da Argentina. O que Trump busca é paridade. Eduardo não teve participação nisso e ninguém está comemorando. Gostaria de conversar com o Trump, sim”, disse. “Mas não vinculo minha anistia à questão comercial.”
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Apesar da pacificação defendida por Bolsonaro, Eduardo, que vive atualmente nos EUA, voltou a criticar Tarcísio em entrevista ao Globo. “Faltou inteligência ao Tarcísio e respeito a mim. Ele tenta negociar com diplomatas de sexto escalão sem nos consultar. E pior, sem consultar Jair Bolsonaro. Não sabemos como o STF pode interpretar um pedido para que ele vá aos EUA”, declarou.
Viagem de Bolsonaro aos EUA
Tarcísio também teria buscado ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para avaliar a viabilidade jurídica de uma eventual autorização para que Bolsonaro viaje aos EUA e dialogue diretamente com Donald Trump. A iniciativa foi publicamente apoiada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Senado.
“Se Lula não tem capacidade, poderia pedir ao Alexandre de Moraes para devolver o passaporte pro Bolsonaro, que ele vai pra lá e resolve”, disse o senador.
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A proposta, porém, ainda não foi formalizada. O ex-presidente segue com passaporte retido por ordem do STF no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022.
O gesto de Tarcísio, mesmo em meio à crise bolsonarista, foi interpretado por interlocutores como uma tentativa de assumir protagonismo na articulação externa.