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Mudanças na Medicina Veterinária alteram a forma como os médicos-veterinários se comunicam – Portal Cães e Gatos

 A Medicina Veterinária tem passado por extensas modificações. São novas possibilidades de tratamento, tecnologias avançadas e diferentes formas de manejo com os pacientes. Associado a todos esses fatores, o mercado de trabalho está cada vez mais concorrido.  – PUBLICIDADE – Essas mudanças não somente alteraram a forma como os profissionais atuam, como também criaram novas […]

 A Medicina Veterinária tem passado por extensas modificações. São novas possibilidades de tratamento, tecnologias avançadas e diferentes formas de manejo com os pacientes. Associado a todos esses fatores, o mercado de trabalho está cada vez mais concorrido. 

– PUBLICIDADE –

Essas mudanças não somente alteraram a forma como os profissionais atuam, como também criaram novas possibilidades de comunicação com os responsáveis pelos animais. 

Os veterinários da nova geração estão mudando diversos aspectos da Medicina Veterinária e têm as redes sociais como aliadas. 

Exemplos disso são Luiza Quintela, Carolina Clarissa de Castro Paixão Quaresma e Raphael Gomes dos Santos. Juntos, eles reúnem quase um milhão de seguidores no Instagram e conseguem levar informação e entretenimento para tutores e profissionais, além de realizar marketing pessoal. 

Para trazer um panorama sobre a forma como os médicos-veterinários da nova geração estão encontrando seu espaço no mercado de trabalho e encaram a profissão, conversamos com esses três profissionais, que veem as redes sociais como uma ferramenta valiosa no seu dia a dia. 

Luiza Quintela (@luizaquintela)  

Mudanças na Medicina Veterinária alteram a forma como os médicos-veterinários se comunicam
Luiza Quintela é médica-veterinária e pós-graduanda em Dermatologia e Alergologia veterinária (Foto: Reprodução)

Cães & Gatos: Por que escolheu a Medicina Veterinária? 

Luiza Quintela: Desde sempre quis estar cercada de animais e esse desejo acabou me levando para a Medicina Veterinária, também por influência do meu pai, que mesmo não sendo da área sempre valorizou muito a profissão. 

Como foi a sua trajetória na Medicina Veterinária até aqui? 

Entrei na faculdade em 2010 com a ideia de trabalhar com reprodução de grandes animais. Porém, após alguns anos percebi que tinha mais aptidão para a clínica de pequenos animais e foquei nesse caminho. Comecei a atuar no final de 2015 e, como a maioria dos recém-formados que entram no mercado de trabalho, fazia plantões. Ao mesmo tempo, trabalhava como auxiliar de fisiatria em uma clínica de reabilitação veterinária e realizava atendimentos a domicílio. Depois de quatro anos nesse ritmo 

fui para área comercial, onde trabalhei como promotora técnica, visando uma rotina um pouco mais leve. Hoje, realizo atendimento clínico, estou cursando pós-graduação em Dermatologia e Alergologia Veterinária e tenho contrato publicitário com algumas grandes marcas do setor veterinário. 

No início, quais foram os principais desafios e frustrações com a carreira? 

Como no começo eu não tinha grandes expectativas, acabei não me frustrando muito. Contudo, tiveram dias em que fiquei decepcionada com algumas oportunidades que exigiam tempo, conhecimento e energia, mas ofertavam baixa remuneração e, principalmente, falta de direitos trabalhistas. Esse cenário acabou me obrigando a empreender, mesmo não sendo o meu perfil. 

Por que Dermatologia? 

A escolha pela Dermatologia foi muito madura. Durante a faculdade nunca penseinessa possibilidade e após estar formada sempre disse que não seguiria por esse caminho. Porém, durante os anos praticando clínica geral tive que aprender na marra sobre o básico da área devido a elevada porcentagem de casos dermatológicos que atendia. Com isso, vi que o melhor seria especializar esses atendimentos e aprender novas técnicas para aumentar meu ticket médio. 

Quando começou a criar conteúdos para as redes sociais?

Em 2016 postei meu primeiro vídeo no YouTube, mas na época a intenção não era falar sobre Medicina Veterinária. No entanto, acabei abordando temas da área, pois a maioria das perguntas nos comentários eram sobre isso e eu percebi que esse era um interesse do meu público. A partir disso, o foco dos vídeos passou a ser mostrar meus desafios como recém-formada para facilitar a rotina de quem estava começando na carreira, visto que não tive essa oportunidade no início. 

Quando veio o maior alcance do público? 

Aos poucos o público do YouTube foi migrando para o Instagram e o maior alcance ocorreu por volta de 2022. Atualmente, meu público é dividido entre veterinários e estudantes de graduação (70%) e tutores de pets (30%). 

As redes sociais são uma ferramenta importante para a divulgação do seu trabalho? 

Sem sombra de dúvidas! As redes sociais alavancaram minha carreira tanto para conseguir mais clientes para os atendimentos, quanto para as parcerias com marcas do setor. Com essas ferramentas eu consigo educar os tutores, fazendo com que cheguem às consultas entendendo a importância de exames, medicações e procedimentos, o que deixa a rotina mais leve e prazerosa. Além disso, hoje viajo pelo Brasil todo ministrando palestras e cursos e participo de lançamentos de produtos e eventos, tudo por conta da internet. 

Como é a sua rotina atualmente? 

Atualmente, a criação de conteúdos e entrega para as marcas acabam tomando grande parte do meu tempo, principalmente devido às viagens. Mas, também tenho um consultório, no qual atendo apenas casos de Dermatologia e separo, pelo menos, três dias da semana para atendimento, tendo uma média de 10 a 15 pacientes por semana.

Quais os cuidados no momento de produzir conteúdos para as redes sociais? 

Para produzir os conteúdos levo em consideração, especialmente, o código de ética e a nova resolução nº 1649/2025, que estabelece regras de publicidade e propaganda na Medicina Veterinária. Todos os conteúdos têm caráter informativo para ensinar e orientar o meu público sobre doenças, mas sem abordar formas de tratamento e dosagens de medicação, e sempre evitando sensacionalismo com a proposta de valorizar a Medicina Veterinária. 

Como você enxerga as mudanças pelo qual a Medicina Veterinária está passando? 

A Medicina Veterinária está passando por uma transformação profunda,impulsionada, especialmente, pelo avanço tecnológico, pela valorização da Medicinabaseada em evidências e pela mudança na relação entre tutores e animais. Hoje, otutor está mais informado e mais exigente, o que nos leva a um modelo de práticamuito mais individualizado, preventivo e interdisciplinar. Vejo também uma grande mudança na forma como o veterinário se posiciona: deixamos de ser apenas clínicos para nos tornarmos comunicadores e educadores. 

Carolina Clarissa de Castro Paixão Quaresma (@vetquaresmaccarol) 

Mudanças na Medicina Veterinária alteram a forma como os médicos-veterinários se comunicam
Carolina Clarissa de Castro Paixão Quaresma é médica-veterinária e pós-graduanda em Medicina Felina (Foto: Reprodução)

Revista Cães & Gatos: O que você esperava da Medicina Veterinária quando estava na graduação?

Carolina Quaresma: Quando eu entrei na faculdade estava extremamente empolgada, principalmente para começar as matérias de clínica e cirurgia. Esperava que fosse um curso bem difícil – e realmente é. Desde o início queria trabalhar com pequenos animais, principalmente felinos, e foi na graduação que me apaixonei por cirurgia cães e gatos, sendo monitora dessa disciplina por três anos. Porém, no final acabei voltando a focar em felinos e até meu TCC foi focado em Medicina Felina. 

Como foram os primeiros anos atuando?

Nos primeiros anos me sentia inexperiente e ao mesmo tempo sabia da grande responsabilidade dessa profissão. Contudo, sempre tive vontade de aprender o que não conhecia e correr atrás para ir me aperfeiçoando. Depois de atuar nos plantões, abri meu consultório, duas experiências que me fizeram crescer muito pessoalmente e profissionalmente. 

Quais foram as suas principais decepções e desafios no início da carreira?

No início da carreira me decepcionei, especialmente, com a falta de união de algunscolegas. Também não posso deixar de citar a baixa remuneração e os momentos difíceis, como a perda de um paciente, não sendo fácil lidar com essa dor e ainda oferecer apoio ao tutor do animal. Inclusive, o vínculo com o tutor é um aspecto que me surpreendeu positivamente, pois mesmo em casos difíceis uma boa comunicação é capaz de transformar o atendimento.  

Por que a especialização em Medicina Felina?

A primeira inspiração foi uma gata da minha família chamada Branquinha. Ela era a guardiã da minha mãe e acabou perdendo a luta contra a Leucemia Felina (FeLV). Ao acompanhar todo o processo da doença senti uma vontade genuína de fazer por outros felinos o que eu gostaria que tivessem feito por ela. Hoje, a Medicina Felina evoluiu muito e para mim é uma honra fazer parte do grupo de pessoas que quer contribuir para que continue evoluindo. 

Quando você decidiu postar conteúdos nas redes sociais?

Meus primeiros conteúdos foram criados em 2021 durante o período de estágio da graduação. Na época, eu gravava vídeos de humor que viralizaram no Tik Tok. Inclusive, essa era a única plataforma que usava, pois tinha vergonha do Instagram. Porém, devido a vida corrida, após me formar parei por um período e retornei no final de 2022, produzindo conteúdos no meu consultório. Nesse período passei a publicar vídeos no Instagram. 

Quando seus conteúdos atingiram um público maior? 

Depois de começar a publicar conteúdos no Instagram as coisas foram acontecendo e cada dia mais pessoas foram chegando no meu perfil. Também fui entendendo o que meu público queria ver e quais conteúdos interessavam. Com isso, comecei a investir um tempo maior para a criação dos vídeos e no final de 2023 passei de 1.500 seguidores para 95 mil na plataforma. 

As redes sociais foram uma ferramenta importante para divulgação do seu trabalho? 

Com certeza! As redes sociais ampliaram muito meu alcance, me conectaram com profissionais incríveis e tudo isso me abriu portas e criou a possibilidade de trabalhar com marcas que gosto e admiro. Também consegui evoluir muito como criadora de conteúdo, algo que me faz muito feliz e amo fazer. Foi a partir da internet que passei a ir em congressos que antes nunca havia participado e palestrar em universidades. Então, foram muitas portas abertas. 

Quais os cuidados com relação a divulgação de conteúdos nas redes sociais?

Sempre busco manter responsabilidade e ética. Tudo o que publico nas minhas redes sociais possui base científica e respeito com pacientes, tutores e colegas. Também tento manter um equilíbrio entre conteúdo técnico e mensagens leves e acessíveis, pois acredito que informação só é útil se for compreendida.

Como você enxerga as mudanças pelo qual a Medicina Veterinária está passando?

A Medicina Veterinária está evoluindo cada vez mais, Hoje, falamos sobre comportamento, bem-estar, saúde mental dos profissionais e novas tecnologias. Estamos vivendo uma transição importante, em que o veterinário deixa de ser apenas o “cuidador de animais” para assumir seu papel essencial na saúde única, que conecta humanos, animais e meio ambiente.

Como você acha que os novos médicos-veterinários podem se destacar no mercado?

Atualmente, é muito importante que os médicos-veterinários invistam em marketing e existem diversas formas de fazer isso. Também vejo a importância de estar sempre se atualizando e saber criar uma linha de comunicação eficaz com os clientes. Hoje, saber se expressar e se posicionar faz tanta diferença quanto ter conhecimento técnico. Cada veterinário possui algo único a oferecer e o segredo está em descobrir isso e colocar sua essência no que faz. O mercado valoriza quem une competência com propósito.

Raphael Gomes dos Santos (@raphagomess)

Mudanças na Medicina Veterinária alteram a forma como os médicos-veterinários se comunicam
Raphael Gomes dos Santos é médico-veterinário e realiza aprimoramento em cirurgia de tecidos moles de pequenos animais (Foto: Reprodução)

Revista Cães & Gatos: Por que escolheu a Medicina Veterinária? 

Raphael Santos: Iniciei a graduação em Medicina Veterinária por influência da minha mãe, que achava que eu seria um bom médico-veterinário. Antes de entrar na faculdade tinha receio da profissão por achar que iria sofrer ao ver um animal em sofrimento. Porém, logo nos primeiros dias de aula já me apaixonei e soube que era isso que eu queria fazer. 

Como foram os primeiros anos após a formação? 

No primeiro ano de formado eu trabalhei com plantões e iniciei a pós-graduação em Cirurgia de pequenos animais. Já a partir do segundo ano da pós-graduação, comecei o aprimoramento em cirurgia de tecidos moles de pequenos animais onde permaneço até o momento. 

Quais os principais desafios que você encontrou após se formar? 

Depois da graduação eu tive uma decepção, pois criei uma expectativa muito alta durante a faculdade e após formado me senti perdido. A desvalorização da Medicina Veterinária também me desanimou, mas esses desafios não me fizeram desistir. Pelo contrário, frente a eles eu decidi iniciar a especialização, pois sabia que a rotina de plantonista não era a que eu queria. 

Por que escolheu a especialização em cirurgia? 

Mesmo antes de começar a graduação eu já sabia que queria trabalhar com cirurgia. Eu amo estar no centro cirúrgico, sendo um ambiente onde me sinto muito bem, e adoro toda a rotina que a profissão de cirurgião exige. 

Por que decidiu começar a criar conteúdos para as redes sociais? 

Comecei a postar vídeos nas redes sociais durante a pandemia. Na época eu estava no estágio da faculdade e tudo fechou. Então, busquei algo para me distrair e passei a publicar vídeos no Tik Tok. Porém, nesse início eu não postava conteúdos sobre Medicina Veterinária e sim de humor. Ao retornar para o estágio decidi publicar conteúdos veterinários com bom humor, que passaram a gerar muitas visualizações. 

Quando você começou a ganhar relevância nas redes sociais? 

Certo dia postei um vídeo nas redes sociais e passadas duas horas percebi que ele estava com um milhão de visualizações e 200 mil curtidas. Nesse momento tomei um susto, pois não imaginava atingir tamanho alcance. Percebi, então, que era isso que eu queria fazer e não parei mais de postar vídeos nas redes sociais. Atualmente, posto conteúdos sobre a minha rotina na Medicina Veterinária, mas de um jeito engraçado e leve. 

Qual a relevância das redes sociais na sua profissão hoje? 

As redes sociais foram uma ferramenta muito importante pra divulgação do meu trabalho. Elas me abriram diversas portas e hoje sou convidado para congressos, eventos e cursos. Todos os congressos em que estive foram por causa das redes sociais. Isso me deixa muito grato e serve como combustível para que eu continue trabalhando com a internet. 

Quais mudanças você tem visto na Medicina Veterinária nos últimos anos? 

Nos últimos anos eu acredito que a Medicina Veterinária evoluiu muito mais do que há 50 ou 60 anos. Parece que pertencemos a uma geração que busca mudança. Isso é visto na própria presidência do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), que está trabalhando, justamente, para mudar muitas coisas. Além disso, estou otimista para o futuro da profissão, pois o mercado pet é um dos maiores no mundo e nós precisamos acompanhar todas as modificações que estão acontecendo. 

Qual o seu conselho para os veterinários se destacarem no mercado? 

A comunicação é a principal ferramenta para os médicos-veterinários. Na rotina de trabalho é fundamental ter empatia e se comunicar de forma clara e aberta. Isso faz a diferença. Conhecimento técnico nós podemos aprender na faculdade, mas desenvolver uma boa capacidade de comunicação não é tão simples, sendo algo que só se aprende no dia a dia. 

Confira o artigo completo “Medicina Veterinária muda, médicos-veterinários também” na íntegra e sem custo, acessando a página 10 da edição de janeiro (nº 317) da Revista Cães e Gatos.



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