A ABRAESCA, Associação Brasileira de Saúde e Causa Animal, idealizou um projeto inédito no Brasil: a criação de bancos de sangue veterinário com acesso público.
A proposta já foi apresentada a municípios do estado do Rio de Janeiro e tem previsão concreta de inauguração das primeiras unidades em 2026, nos hospitais públicos veterinários de Resende e Duque de Caxias.
A iniciativa surgiu da vivência clínica diária e da falta de oferta de hemocomponentes para animais em situação de emergência.
Segundo a presidente da ABRAESCA, a médica-veterinária Tifanny Pinheiro Pires, muitos pacientes deixam de ser atendidos por não haver sangue compatível disponível no momento da necessidade.
“Vivenciamos isso todos os dias na prática clínica. O animal precisa de um hemocomponente específico e simplesmente não há oferta”, explica.
Parcerias institucionais e doação responsável
O projeto prevê parcerias estratégicas com o Exército Brasileiro, em Resende, e com a Marinha do Brasil, em Duque de Caxias.
Nessas unidades, cães que atuam nas instituições poderão se tornar doadores regulares, seguindo critérios rígidos de saúde e bem-estar animal.
Atualmente, o estado do Rio de Janeiro conta com poucos bancos de sangue veterinário, todos privados e concentrados na capital e na Região Metropolitana.
Esse cenário dificulta o atendimento em municípios do interior e pode gerar atrasos críticos em casos de urgência. A proposta da ABRAESCA busca descentralizar esse serviço essencial e democratizar o acesso às transfusões.
Separação de hemocomponentes salva mais vidas
Outro diferencial do projeto é a separação dos hemocomponentes, prática que aumenta a segurança das transfusões e otimiza cada doação.
“Nem todo animal pode receber sangue total. Quando os componentes são usados corretamente, uma única doação pode salvar até quatro vidas”, destaca Tifanny.
O atendimento será priorizado para animais de famílias inscritas no CadÚnico, garantindo acesso a tratamentos de alto custo, sem qualquer prática de maus-tratos e com rigor técnico absoluto.
A OAB-RJ, por meio das comissões de direito médico-veterinário e de proteção e direito dos animais, acompanha o projeto desde sua concepção. Para Reynaldo Velloso, presidente da comissão de proteção e direito dos animais, a iniciativa representa um avanço significativo.
“Fiquei impressionado com a organização e a viabilidade do projeto. O banco de sangue público veterinário tem grande potencial de salvar vidas, com uma estruturação técnica diferenciada”, afirma.
Já Larissa Paciello, presidente da comissão de direito médico-veterinário da OAB-RJ, ressalta o impacto social da proposta.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) também reconhece a relevância da iniciativa.
Segundo o presidente Diogo Alves, o projeto amplia o acesso às transfusões, assegura o bem-estar animal e fortalece a medicina veterinária como pilar da saúde pública.

Fonte: ABRAESCA, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre bancos de sangue veterinário público
O que é o banco de sangue veterinário público?
É uma estrutura destinada à coleta, processamento e distribuição de sangue e hemocomponentes para animais atendidos pelo serviço público.
Quando as primeiras unidades devem ser inauguradas?
A expectativa é que os bancos de sangue em Resende e Duque de Caxias entrem em funcionamento em 2026.
Quem será priorizado no atendimento?
Animais de famílias cadastradas no CadÚnico, garantindo acesso gratuito e seguro às transfusões.
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