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Curso de Medicina Veterinária exige preparo emocional e disciplina

Alguns acreditam que têm vocação para se tornarem médicos-veterinários por um amor incondicional pelos bichos. Mas sentimento e vontade de cuidar não bastam para manter os alunos na graduação de Medicina Veterinária. É preciso mais. É preciso estar preparado para os desafios que o curso e a profissão englobam e é sobre isso que falamos […]

Alguns acreditam que têm vocação para se tornarem médicos-veterinários por um amor incondicional pelos bichos. Mas sentimento e vontade de cuidar não bastam para manter os alunos na graduação de Medicina Veterinária. É preciso mais. É preciso estar preparado para os desafios que o curso e a profissão englobam e é sobre isso que falamos neste Dia do Estudante.

A aluna do 8º período de Medicina Veterinária, do Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM), Luisa Cristina Soares de Queiroz, lembra que a Veterinária não é só “cuidar de bichinhos”.

“Na profissão, a gente também lida muito com saúde pública, inspeção de alimentos, entre outras temáticas que muitas pessoas, às vezes, nem relacionam com a Medicina Veterinária. Quando iniciei o curso e descobri a quantidade de áreas em que podemos trabalhar, fiquei bastante impressionada”, compartilha.

Luisa conta que, nos primeiros semestres, a rotina prática do curso é mais básica: anatomia, microscopia, identificação de parasitas, etc.

“Depois, começam as práticas clínicas e cirúrgicas, onde atendemos os animais (sempre supervisionados), fazemos exames, acompanhamos partos, cirurgias e procedimentos. Também têm visitas a fazendas, granjas e abatedouros. A aula de anatomia, por exemplo, para mim, foi tranquila. A maior dificuldade foi me acostumar com o cheiro”, descreve.

Disciplina é fundamental!

A carga horária do curso de Medicina Veterinária é intensa e, para a estudante, a organização do tempo ainda é uma dificuldade, mesmo após oito semestres. “Mas, como sou autônoma, consigo alterar meus horários, o que torna minha rotina mais flexível”, menciona.

Estágios também se apresentam como grandes desafios para esses estudantes. Luisa, por exemplo, já estagiou com animais silvestres e conta que foi desafiador.

“São muitas espécies, cada uma com sua particularidade, deu um frio na barriga”, confessa.

Apesar dos desafios, a aluna conta que nunca pensou em desistir do curso. “Tenho facilidade em aprender, então, mesmo quando eram períodos difíceis, eu me mantive firme.

Durante o início da graduação em Medicina Veterinária os alunos aprendem mais matérias generalistas para só depois ingressarem nas disciplinas específicas (Foto: Reprodução)

A lida com pessoas

Também conversamos sobre o tema com a docente da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), Mayra Elena Ortiz D’Avila Assumpção. Ela diz que a maior ilusão em relação à profissão é que basta cuidar dos animais e não se relacionar com as pessoas.

“Precisamos, sim, lidar com pessoas. Para isso, já na graduação, o estudante precisa de um preparo emocional e psicológico. É nessa etapa da vida que ele está construindo seu futuro profissional, assim, precisa entender que a relação com o aprendizado deve ser feita de maneira diferente e não apenas para passar na prova. O aluno deve ter resiliência, adaptação e entender que, ao tomar uma decisão, sempre renunciamos algo”, orienta.

A docente ainda menciona que muitos alunos se apaixonam por áreas que nem sabiam que existiam: “Muitos entram na Veterinária com um propósito de salvar animais da extinção ou pensando em uma especialização. A Medicina Veterinária tem uma vasta gama de áreas de atuação que só quando o estudante inicia o curso, vai tendo contato com essas áreas e, muitas vezes, descobrem uma paixão”, relata.

Para um bom desempenho

Segundo Mayra Elena, o mercado, hoje, precisa de habilidades como iniciativa, proatividade, resiliência, adaptação, trabalho em equipe, respeito e educação e os mesmos comportamentos são valorizados na faculdade.

Questionada sobre como o corpo docente trabalha para equilibrar o idealismo dos alunos com a realidade da profissão, a professora afirma que o corpo docente da FMVZ-USP é heterogêneo e diverso.

“Procuramos, por meio de nossas vivências, trabalhar esse equilíbrio para os alunos. Quando sabem de nossa experiência, percebem que o trabalho, o esforço e o correr atrás são para todos, não só para os estudantes”, conclui.

FAQ sobre o Dia do Estudante na Medicina Veterinária

Amar os animais é suficiente para se tornar médico-veterinário?

Embora o amor pelos animais seja importante, a graduação exige preparo emocional, disciplina, resiliência e disposição para enfrentar desafios práticos e teóricos.

Quais áreas a Medicina Veterinária abrange além do cuidado direto com os animais?

O curso e a profissão envolvem também saúde pública, inspeção de alimentos, produção animal, pesquisas, entre outras áreas que muitos não relacionam diretamente à Veterinária.

Qual é o maior desafio dos estudantes de Medicina Veterinária?

Entre os principais desafios estão a carga horária intensa, a organização do tempo, o contato com diferentes espécies e a necessidade de lidar com pessoas e não só com os animais.

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